quinta-feira, 30 de julho de 2009

41º CONGRESSO DA UEE- VITÓRIA!

Após dez anos de reconstrução da União Estadual dos Estudantes, o 41º Congresso da UEE-MG foi marcado pela aprovação de um Conselho Estadual de Entidades de Base (CEEB) que possa rediscutir uma nova maneira de reorganização da entidade já para o segundo semestre. Essa vitória histórica da oposição frente à direção majoritária, composta há mais de dez anos pela UJS- PC do B, será uma ótima oportunidade para os Centros Acadêmicos de Minas Gerais discutirem democraticamente um novo estatuto onde esses possam participar diretamente das decisões sobre a nova UEE.
Podemos perceber que em Minas Gerais a palavra "reorganizar" só não é consensual por aqueles que ainda defendem uma UEE caracterizada por eleições diretas, congressos carnavalescos e que é ainda utilizada como moeda de troca entre os demais partidos atuantes na entidade. A estrutura política atrasada e antidemocrática, que não passa por reformas desde 1984, garante um poder absoluto daqueles que conseguem atrair os estudantes sem que haja quaisquer discussões entre os CA's , podendo atropelar, inclusive, as deliberações feitas nos DCE's de cada universidade. No caso de São João del-Rei, por exemplo, por mais que o DCE se posicionasse contrariamente à tiragem de delegados, o estatuto da UEE permitia uma tiragem de delegados que não houvesse uma consulta prévia entre o DCE e os CA's. A estrutura de poder arcaica, por incrível que pareça, foi ainda defendida pela UJS/PC do B e a DS-KIZOMBA, corrente do PT. A União da Juventude Socialista, para os desinformados, se encontra a mais de dez anos na direção majoritária da UEE-MG e da UNE , apóia a base governista atual e utiliza a UEE-MG como um aparelho político, abandonando a luta atual dos estudantes nas mais diversas regiões do estado e do país. Com o argumento ilusório de uma UEE-MG participante e ativa, a UJS defendeu uma tese que seria contrária ao CEEB estatuinte, defendida pelo bloco oposicionista formado por representantes das mais diversas orientações políticas (PCB,PCR, PDT, PSDB, PMDB,todas as outras correntes do PT presentes no Congresso e independentes).
Com a formação do bloco oposicionista, a plenária final quase entrou em colapso, onde claramente a direção majoritária tentou atropelar a decisão da maioria em realizar o CEEB. Gritos de ordem foram ovacionados, o Congresso entrou em clima de racha e a revolta tomou conta dos estudantes que queriam transformar a entidade. Após uma hora de pressão, a UJS recuou e aprovou a deliberação consultada pela maioria, marcando sua primeira derrota em mais de dez anos de direção da UEE-MG.
Essa vitória política deve ser comemorada por todos aqueles que agora têm a oportunidade de discutir uma nova forma de organização, verdadeiramente democrática e que representem os estudantes de fato em Minas Gerais. A união e a tática para o CEEB estatuinte deve ser bastante discutida entre todas as bases do estado, principalmente em São João del-Rei, onde já existe uma estrutura de DCE que pode ser adotada como modelo a ser teoricamente consultado para que se pense em uma reestruturação da UEE-MG, na qual os CA's tenham poder de dirigir a entidade através da revogabilidade dos mandatos dos diretores da UEE-MG, fazendo com que a entidade se torne uma ferramenta permanente de organização do movimento estudantil em todo o estado. Mostra também que nem tudo está perdido; a UEE pode e voltará a ser a voz dos estudantes, através de um novo estatuto que proponha uma estruturação através das entidades de base e que todos os estudantes possam participar de uma reconstrução do movimento estudantil unificada nessa pauta e que, conseqüentemente, toda a esquerda se unifique em peso para construir uma entidade verdadeiramente representativa.

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