segunda-feira, 9 de maio de 2011

CARTA DE EXONERAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

CARTA DE EXONERAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

André Luan Nunes Macedo
São João del-Rei, 10 de maio de 2011, às 02:27 AM
Aos camaradas da União da Juventude Comunista/ Partido Comunista Brasileiro,

A nossa história dentro desta organização revolucionária se confunde com o que aprendemos no movimento estudantil da Universidade Federal de São João Del-Rei. A prática militante construída baseada na experiência da democracia participativa foi o nosso estímulo para defender uma práxis no movimento estudantil que se identificasse com as experiências revolucionárias consolidadas no século XIX (como a Comuna de Paris), do século XX (Revoluções Russa, Chinesa, Cubana) e aquelas que pretendem consolidar o socialismo no século XXI (Venezuela, Bolívia e Equador). Todas elas se propõem a discutir a centralidade do poder, a construção de um novo Estado, por meio da consolidação de canais representativos mais concretos para a ação política da classe trabalhadora.
O DCE UFSJ fez uma grande escola de militantes, em sua grande maioria, não comunistas, mas que defendiam o poder dos Centros Acadêmicos, ou seja, os interesses da base estudantil. Nesse espaço plural e democrático aprendemos a discutir nossos anseios políticos de forma livre e aberta. Jamais fomos censurados ou coagidos no DCE UFSJ, desde o início de nossa militância. No entanto, o embate e a crítica de visões de mundo diferenciadas, horizontalmente colocadas no mesmo espaço, permitiram-nos enxergar a necessidade de organização política identificadas com nossos anseios de transformação radical da estrutura social que vivemos.
Devido a esse desejo de ampliar nosso horizonte de atuação e refletir mais racionalmente sobre a ação política que procuramos o Partido Comunista Brasileiro em São João del-Rei. Fomos recebidos de braços abertos, com todos os camaradas deste núcleo, que na época se dispuseram a apresentar as grandes críticas possíveis sobre o movimento estudantil nacional e suas relações com as práticas colocadas pelo Estado capitalista. Sabíamos de nossa função no Partido: convencer os demais camaradas de um método adequado para os comunistas criarem um terreno de disputa nas universidades, no qual poderia ser mais vantajoso para eles (leia-se: mais democrático para todos os estudantes), sem que houvesse o investimento financeiro de partidos em grandes eleições e que as bases pudessem legitimar seu poder a partir de uma democracia de novo tipo, considerada por nós como revolucionária.
Acreditávamos que o caminho a ser trilhado no PCB seria de grande relevância e fácil aceitação. Doce ilusão. O “céu de brigadeiro” da abertura do espaço crítico e do exercício da dialética só existia em ações ditas isoladas, como a publicação de textos na Internet e em reuniões em São João del-Rei. Mesmo assim, muitas das idéias publicadas nas redes virtuais recebiam um tom de coação. Houve momentos em que pediu-se a retirada de textos sem qualquer explicação pela Coordenação Regional de Minas Gerais, embasado em uma discussão de autoridade, quando da análise de conjuntura das eleições de 2010, por exemplo.
Pudemos presenciar práticas que nos fazem desacreditar numa mudança efetiva dos rumos da democracia interna do Partido. Assistimos a bofetadas políticas através de “carteiradas oficialescas” da Secretaria Nacional da Juventude, ocorrida no V Congresso da UJC; uma eleição problemática da Coordenação Nacional da Juventude nesse mesmo espaço; uma tentativa de intervenção clara nos espaços deliberativos da coordenação estadual em relação à campanha do Movimento a Hora é Essa! na UFMG; uma ausência enorme de debates públicos, partindo de uma visão mitológica do que é ou deveria ser o centralismo democrático, entendido por alguns dirigentes como um semblante conspiratório, ligado essencialmente a uma incompreensão do que é o partido “pequeno mas bom” proclamado por Lênin em 1917 e o “Partido pequeno mas bom” no contexto brasileiro.
Apesar de todos os problemas apontados nos dois últimos parágrafos acima, é impossível deixar de agradecer todos os camaradas do PCB pela mudança drástica que o lema revolucionário pôde nos trazer. Saímos de um universitário que, além das suas atividades acadêmicas, jogava basquete, para buscar compreender o movimento da vida do homem, suas práticas e a existência da dominação em nossa sociedade. Se não fosse esse espaço, jamais poderíamos compartilhar os erros que tanto cometi em momentos cruciais; jamais poderíamos contar com o apoio de camaradas fundamentais em nossa trajetória política; jamais poderíamos nos sentir humano diante das grandes contradições bárbaras expostas pelo paradigma de produção dominante para todo cidadão comum.
Sentimo-nos honrados por ter participado da construção de um núcleo em São João del-Rei que se mostrou eficiente em muitos momentos nas suas ações e na sua qualidade intelectual. Numa cidade conservadora em que Tancredo Neves é o grande “pai da democracia”, ter um Partido como o PCB em sua história, capaz de se contrapor a 300 anos de histórias contadas pelas oligarquias locais, nos faz ter a esperança em um futuro melhor.
Assim como agradeci no meu trabalho de conclusão de curso, volto a agradecer nominalmente aos grandes intelectuais que certamente ainda muito nos ajudarão na luta por algo que todo cidadão comum em sã consciência deveria fazer para conseguir transformar o destino da vida humana. Em especial aos camaradas Abiatar, Sammer, Alex, Luisa, Bernardo, Tiago, Marcela, Rafinha, Juliar, Tata e Wlamir: obrigado por fornecerem suas inteligências para se contrapor ao certo e ao verdadeiro em nossa sociedade e terem nos ajudado tanto a compreender a realidade.
Pelos motivos expostos, sentimos a necessidade de exonerarmos nosso cargo de representante da Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista, assim como da representação estadual do mesmo e do Partido Comunista Brasileiro. Esperamos que a luta iniciada pela democracia no PCB tenha continuidade por outros camaradas que tanto confiamos. Vida longa ao Partidão, ao marxismo-leninismo e a todos aqueles dispostos a lutarem pela necessária revolução socialista em nossa Pátria, com a certeza que estaremos juntos nessa dura caminhada.


Atenciosamente,

André Luan Nunes Macedo
Obs: Queremos deixar claro que nossa decisão já vinha sendo pensada desde o ano passado, quando as crises colocadas foram se acumulando.

O COLONIALISMO INTELECTUAL NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

André Luan Nunes Macedo

Atualmente, os Estados Unidos da América transformou sua guerra imperialista no mundo árabe, que objetivamente busca única e exclusivamente recursos fundamentais para a existência de suas nações, como o petróleo, por exemplo, numa "luta pela democracia", contra "as ditaduras" e o "fundamentalismo religioso islâmico" por meio do seu poder de guerra.

Vemos o imperialismo ianque agredir as nações latino-americanas, em especial a pátria cubana socialista, sob o pretexto de "devolver a democracia" e tornar Cuba "um território livre da ditadura comunista", mesmo que seja necessário investir em todo e qualquer tipo de terrorismo biológico ou bélico; mesmo que seja necessário praticar espionagem para sabotar a produção econômica daquele país; mesmo que seja necessário bloquear este país por meio de um injusto embargo econômico, que dura sessenta anos contra Cuba; mesmo que seja necessário deixá-la ilhada do resto do mundo, passando por duras dificuldades estruturais por não concordarem com a experiência social que os cubanos se autodeterminaram, ligados à planificação radical da economia e da valorização do trabalho, na perspectiva do socialismo.

Todas as práticas políticas aqui indicadas são "justas" na ótica da política imperialista para tornar os países latino-americanos como suas bases de exploração e de captação de recursos, mantendo a desigual Divisão Internacional do Trabalho como via de regra para esses países. Sendo que nenhum deles é uma potência tecnológica e científica, principal fator de valor no mercado. Ao contrário disso, a América Latina hoje é um grande celeiro da produção de matérias primas para o mercado mundial, mesmo tendo desenvolvido indústrias e concentrado a classe trabalhadora nas grandes cidades.

Concordamos com Ruy Mauro Marini nesta análise: a América Latina produziu, no seio das lutas e das suas nações, um capitalismo dependente. É impossível, no modo de produção dominante, romper com estas arestas. É necessário construir bases políticas que rompam com esta produção e construam uma independência ao imperialismo.

Bolívia, Venezuela, Equador e Cuba se mostram no cenário atual como nações dispostas a romperem com as amarras representativas impostas pelo imperialismo em nossa América. As quatro nações buscam negar o "Xerox" político tão panfletado da democracia representativa liberal-burguesa, tão padronizada, homogênea e isonômica, que não respeitam o direito à autodeterminação. "Democracia" nestes países não significa mais a simples e demagógica "liberdade de escolha" dos seus representantes. O voto não é mais a única e exclusiva forma de participação política. A democracia para a libertação latino-americana possui outro sentido histórico para a participação do povo nas decisões políticas. Significa controlar os representantes políticos por meio de referendos revogatórios; significa dar poder às reuniões de bairro e tratá-las como instâncias decisórias do Estado; significa ter a possibilidade real de revogar o mandato dos deputados e outros representantes que foram eleitos em suas circunscrições, como é o caso, por exemplo, do parlamento cubano. Trata-se de reduzir a distinção entre governantes e governados, construindo uma sociedade mais regulada pelo bem comum e pela soberania popular.

"Colonialismo", "dependência" e "imperialismo". Três conceitos indissociáveis que conseguem dimensionar a estrutura social que devemos encarar para lutar pela emancipação política da Pátria Brasileira. Precisamos encontrar instâncias de representação que vão além da colonização imposta pelo imperialismo. Nossa pátria precisa liberar seu povo para a condução de seu próprio destino, algo que não acontece hoje devido a falta de espaço para a produção de intelectuais que defendam o controle social dos representantes no Brasil.

Nessa perspectiva, a Universidade assume papel central para a luta política contra a difusão da idéia dominante de representação. Seus intelectuais hoje, ao contrário do que deveriam fazer para consolidar o desenvolvimento nacional e latino-americano, trabalham para a sustentação da Instituição sob a lógica de um desenvolvimento não autônomo. Ou seja, que segue, direta ou indiretamente, os movimentos do capitalismo dependente, repercutindo nas esferas culturais e, principalmente, políticas, da universidade pública.

Para que o título de nosso ensaio tenha sentido é necessário explicar o que entendemos por uma visão intelectual colonizada e suas repercussões nas Universidades públicas brasileiras. A Universidade Federal de São João del-Rei será utilizada neste ensaio como um dos lócus de reprodução de práticas que nos levam a operar com determinado conceito, por se tratar de um espaço que formula o desenvolvimento regional nos mais variados espectros sociais (culturais, políticos, econômicos e na integração entre estas três dimensões do social) , repercutindo, conseqüentemente, nos rumos da nação brasileira para determinada defesa de um projeto político pré-estabelecido.

A dimensão política do colonialismo intelectual reproduzida pelo centro de poder administrativo (leia-se: reitoria e seus Conselhos Superiores, mais especificamente o Conselho Universitário) travou uma grande resistência política do movimento estudantil da UFSJ a essa visão, principalmente no que diz respeito à concepção dominante de democracia. Buscando a práxis como elemento central para a análise do social, é necessário refletir sobre algumas ações políticas tomadas nos espaços dos Conselhos Superiores, visando a explicação do colonialismo intelectual defendido pela elite política da UFSJ tanto nas suas normas (Regimento Interno e Estatuto), quanto na prática política da representação, remontando o caso da votação ocorrida para instituir uma norma para a eleição dos representantes discentes no Conselho Universitário (CONSU).

Muitos dos conselheiros docentes (e não todos) eleitos nos seus departamentos assumiram a defesa desta representação colonizada. Não se consideram no direito de fazer discussões obrigatórias entre seus representados. Não acreditam na necessidade de retornar suas deliberações no órgão máximo, deliberativo e normativo da universidade nos espaços coletivos que o elegeram. Consideram que o movimento de retornar as discussões ocorridas nos conselhos superiores para seus órgãos representativos é uma relação "voluntária", também defendida pela atual reitoria. No caso dos técnicos-adminsitrativos a distinção ainda é mais grave, pois este representante não se relaciona a nenhuma base representativa concreta, pois fica a seu critério convocar assembléias gerais para deliberar em torno de determinado tema.

Em reunião recente do Conselho Universitário, o reitor remontou o cenário de alteração do Regimento Interno ocorrido em 2005, quando questionado pelos estudantes sobre as reformas deliberadas no Estatuto da UFSJ atualmente. Alguns departamentos na época realizaram suas discussões a partir dos seus representantes internamente em suas assembléias, e outros optaram por não gerar aquilo que foi chamado de "voluntarismo" naquele momento, ou seja, o tão importante fluxo de informação e indistinção entre representantes e representados.

A mesma ação política foi tomada por esses conselheiros ao aprovar a posição colonizada das eleições diretas para a representação discente, atropelando o espaço deliberativo dos Centros Acadêmicos a partir do Conselho de Entidades de Base do DCE UFSJ. Por mais que se chamassem espaços de discussão coletiva, como as Assembléias Gerais dos estudantes q ue tinham o intuito de definir o posicionamento dos discentes em relação a sua representação no CONSU, a maioria dos conselheiros desrespeitou a democracia participativa defendida pela maioria dos estudantes que participaram das discussões. O argumento de isonomia entre os segmentos (docentes, técnicos-administrativos e discentes) foi defendido com o objetivo de estabelecer uma padronização da forma de organização da universidade. "Isonomia" significa, portanto, legitimar a representação liberal-burguesa de democracia. Qualquer outra forma de concepção de organização é desrespeitada e imposta à revelia do desejo da maioria que se propuseram participar da discussão sobre o Conselho Universitário, rompendo com a autonomia de deliberação dos departamentos e, consequentemente, com a democracia universitária.

Hoje vivemos em nossos Conselhos superiores práticas que transpõem mecanicamente a forma e o método constituído para a eleição daqueles que mais tem traído e entregado nosso país nas mãos de agentes dispostos a sugarem tudo aquilo que for necessário para se enriquecerem. Como fazem isso? Basta financiar uma elite política disposta a compartilhar com suas negociações e com seu lucro nas "eleições democráticas" que garantam os seus interesses privados. Questionamos: queremos essa pedagogia política em nossos espaços deliberativos? Qual seria o nível de independência da Universidade brasileira em relação aqueles que "trazem recursos" à nossa universidade? Pelo simples fato de se oferecer determinado capital para nossa universidade por parlamentares devemos nos atrelar ao seu projeto de carreira? Como romper com tais arestas?

Para que a Universidade brasileira siga os rumos de fato do progresso nacional e de seu povo é necessário romper com as arestas conservadoras ainda existentes no fazer-se da estrutura colocada para a ação política. É necessário repensar sua vida orgânica a partir de uma visão holística, entendendo a política como elemento organizador do tripé Ensino/Pesquisa/Extensão. A Universidade precisa ter forças internas para ser o seu próprio motor de desenvolvimento. Ela precisa ser autônoma e defender a sua regulação por aqueles que fazem parte dela. Só assim teremos uma universidade democrática, rompendo com os valores coloniais demagógicos que aparecem como grandes verdades em nossas cabeças. Precisa-se de crítica e reflexão para que se seja autônoma e democrática.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Minha Renúncia Anunciada: o que está em jogo na UFSJ?

André Luan Nunes Macedo

São João del-Rei, 25 de abril de 2011


O que está em jogo é a democracia entre os estudantes, o Diretório Central dos Estudantes organizado enquanto Conselho de Entidades de Base. Para o Reitor, trata-se de calar qualquer questionamento, qualquer debate nos Conselhos Superiores. Depois de tentar, ano passado, fazer os Centros e Diretórios Acadêmicos enviarem para o Conselho Universitário um representante que assumisse passivamente seus posicionamentos, e de obter no Conselho o apoio de somente duas dessas entidades de base, ele resolveu tirar esse poder dessas organizações, que são as únicas realmente estudantis. Para seus aliados trata-se de retomar o controle do Diretório Central dos Estudantes, colocando fim ao poder dos Centros Acadêmicos e submetendo-o ao poder partidário.

Contudo, quem não tem a razão usa o subterfúgio de desviar o assunto, de tentar esconde-lo criando boatos, como foi feito durante as últimas semanas. Os súditos da reitoria soltaram o boato que minha mãe, professora do Departamento de Educação e Coordenadora do Mestrado em Educação da UFSJ, Maria do Socorro Alencar Nunes Macedo, seria uma candidata à reitoria em 2012. Acusam-me de utilizar ou vir a utilizar do cargo de representante do DCE UFSJ no Conselho Universitário para auxiliá-la nesta hipotética caminhada.

A boataria praticada nos corredores é irresponsável e agressiva, pois nos coloca direta ou indiretamente na posição de massa de manobra, esquecendo o que já fizemos academicamente e autonomamente na instituição, sem a necessidade de aprovação de familiar ou professor algum. Para quem não me conhece, sou André Luan Nunes Macedo. Sou graduando do sétimo período do curso de História. Em minha graduação consegui consolidar um projeto de iniciação científica e três artigos relacionados ao campo do ensino de história, sendo um deles aprovado em um Congresso de Educação em Cuba. Além de minhas publicações acadêmicas, me aventurei em produzir um livro, intitulado “Política Universitária: debate” junto ao camarada Mauro Assis, resultado de nossa militância tanto no DCE UFSJ quanto em outros fóruns de atuação. Atualmente estou como representante discente do Conselho Universitário, eleito pelos Centros Acadêmicos no Conselho de Entidades de Base do DCE UFSJ em 2010.

Tenho agora que dar explicações à comunidade acadêmica sobre algo tão infantil como ser filho de minha mãe. Tenho que retornar a dar explicações sobre a minha filiação ao Partido Comunista, como se nunca o tivesse feito. Cabe lembrar que antes de ser escolhido para representante no CONSU, já havia deixado claro que a reitoria poderia se utilizar desta identidade para tentar deslegitimar o movimento estudantil e o poder dos Centros Acadêmicos. Estamos em 2011 e dito e feito: a reitoria acusa o Partido Comunista de aparelhar o DCE UFSJ. Tenho também que dar explicações sobre minha participação em coletivos que buscam a democracia e a autonomia na UFSJ. Por todos esses motivos questionamos: Quando utilizamos de nossa representação de forma a confirmar as acusações feitas pelos mandatários da atual administração? Quando foi que utilizei do CONSU para promover minha mãe? Em que momento utilizei meu cargo em favor do Partido Comunista? Quando falei no CONSU sobre o Movimento UFSJ Autônoma e Democrática?

Contudo, o verdadeiro alvo dos boatos indicados é o movimento estudantil. Uma das principais munições que o adversário tem tido na luta contra os estudantes é associar a minha vida privada com as decisões do DCE UFSJ. Sabemos que essa calúnia reproduzida nos cochichos dos corredores não representa as bandeiras de luta defendidas autonomamente pelo DCE UFSJ. Personalizar o movimento estudantil tem sido uma ferramenta de desgaste da reitoria e seus lacaios neste terreno de batalha. Afinal de contas, dizer que somos capazes de manipular e controlar boiadas estudantis sem consciência alguma é mais fácil que reconhecer o espaço legítimo, democrático e unicamente crítico que o DCE UFSJ tem oferecido para nós estudantes e à comunidade acadêmica em geral.

A luta pela democratização da universidade tem como pólo de resistência o DCE UFSJ. O DCE é o único espaço que encontramos onde podemos compartilhar nossas críticas às práticas atrasadas da democracia liberal. Por não haver outros espaços públicos de discussão, muitas vezes o DCE assume o estereótipo mitológico da “oposição sistemática”. Ao contrário disso, o DCE tem assumido bandeiras que buscam sua independência e autonomia, sempre respeitou a liberdade de opinião e de idéias. Suas bandeiras pela democratização do movimento estudantil e da universidade foram os grandes elementos que me atraíram para que participasse dos seus fóruns logo quando entrei na universidade em 2008. Exemplo disso foi o seu posicionamento em relação às eleições da atual reitoria em 2008, quando não apoiou a candidatura do professor Helvécio e exigiu um debate público mais democrático na comunidade universitária.

São pelos princípios democráticos que regem a prática militante e transformadora que o DCE UFSJ nos ensinou nos últimos três anos, e para superar as novelinhas, que renunciaremos nosso cargo de representante discente no Conselho Universitário bem antes das eleições para a reitoria em 2012, logo quando o DCE puder nos substituir, o que agora é impedido pelas mãos de ferro de nosso reitor e seus mandatários. Nossa disposição de deixar o CONSU desmente por completo a boataria adversária, mostrando que suas concepções são construídas como um castelo de cartas: basta um vento de verdade para que todas caiam por terra.

O nosso papel militante no Conselho Universitário possui data: quando conquistarmos a vitória próxima do DCE UFSJ, seja na política ou na justiça comum. Entendemos a razão pela qual assumimos a representação discente em 2010, pois representávamos a autonomia do movimento estudantil em contraposição ao autoritarismo e à coerção ditatorial imposta por essa administração. Hoje vemos que somos utilizados como uma arma pela reitoria para deslegitimar o DCE UFSJ, que poderá, quando o reitor não impedir, me substituir com facilidade, pois tem formado grandes intelectuais orgânicos na luta pela democracia participativa em nossa sociedade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

PC do B fatura com parceiros de 2014 e 2016

Patrocinadores da Olimpíada do Rio-2016 e da Copa de 2014 fizeram doações na eleição de 2010 para o PC do B, partido do ministro do Esporte, Orlando Silva Jr..

O ministério participa da elaboração de leis que darão benefícios aos parceiros comerciais dos dois eventos. Ainda atua em negociações com a Fifa e o COI (Comitê Olímpico Internacional).

Levantamento da Folha mostra que o PC do B recebeu R$ 940 mil de patrocinadores da Olimpíada e da Copa, contra nada no pleito de 2002.

Os doadores foram a Coca-Cola, o McDonald's e o Bradesco. As duas primeiras empresas são patrocinadoras dos dois eventos, e o banco, apenas dos Jogos do Rio.

O dinheiro foi dado ao Comitê Financeiro Único do PC do B em três Estados: Amazonas, São Paulo e Rio. O que faturou mais foi o da a capital fluminense, sede da Olimpíada e da decisão da Copa.

A Coca-Cola deu a maior fatia do dinheiro. Principal subsidiária da empresa no Brasil, a Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. doou R$ 450 mil aos comunistas. A Rio de Janeiro Refrescos Ltda., distribuidora na capital do Rio, deu R$ 100 mil.

A empresa é a mais interessada nos eventos: está garantida no rol de patrocinadores principais da Fifa (até 2022) e do COI (até 2020).

O PC do B recebeu R$ 350 mil do Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco.

No final do ano passado, o banco ganhou a concorrência para prestar os serviços financeiros e de seguros para a Olimpíada de 2016.

A Arcos Dourados Comercio Ltda., nome do McDonald's no Brasil, doou R$ 40 mil aos comunistas.

A rede de alimentação é patrocinadora oficial da Olimpíada desde 1976 e tem contrato até pelo menos Londres-2012. No caso da Copa do Mundo, seu contrato vem desde 1994 e está em vigor.

As doações dos três patrocinadores olímpicos representam em torno de um sétimo do total ganho pelo PC do B nos Estados de São Paulo, Rio e Amazonas (sede da Coca-Cola), os que mais arrecadaram na última campanha.

Feito em conjunto pelo Esporte e pela Casa Civil, a Lei do Ato Olímpico deu exclusividade a esses e outros parceiros do COI no uso de espaços de publicidade em áreas federais relacionadas aos Jogos-2016, como aeroportos. Foi aprovada no Congresso.

A versão em estudo da Lei Geral da Copa, da qual o Ministério do Esporte também participa da gestação, prevê também limites de áreas exclusivas para patrocinadores da Fifa. Ainda determina prisão para quem tentar fazer marketing pirata com a Copa.

Essas medidas estavam nas garantias dadas pelo governo à Fifa e ao COI em negociações das quais o ministério de Orlando Silva Jr. também participou. São imposições para receber os eventos.

Verba para comunistas dispara em 4 anos

As contribuições dos patrocinadores da Olimpíada e da Copa ao PC do B foram praticamente quintuplicadas da eleição de 2006 para a realizada no ano passado.

O cálculo leva em conta recursos aos comitês financeiros únicos, sem considerar dinheiro aos candidatos.

Há quatro anos, o partido recebeu R$ 194,6 mil da Coca-Cola, por meio das subsidiárias Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. e da Rio de Janeiro Refrescos Ltda.

Foi o único patrocinador que deu dinheiro aos comunistas naquele pleito.

Para 2010, o valor da doação da Coca-Cola foi a R$ 550 mil, um aumento de 182% em relação à eleição anterior.

Como comparação, a contribuição eleitoral da empresa a todos os partidos apresentou um crescimento de 94% nesses quatros anos.

O McDonald's não deu dinheiro a partidos em 2006, mas, no ano passado, doou R$ 40 mil ao PC do B.

O Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco, até deu R$ 60 mil ao partido, mas na época não tinha associação com Olimpíada ou Copa.

Em 2002, o PC do B não ganhou nada dos parceiros dos Jogos do Rio e da Copa.

Ainda houve salto na arrecadação do Comitê Financeiro Único do Rio, cidade-sede da Olimpíada-2016, multiplicada por oito em 2010 e chegando a R$ 3,2 milhões. (RM)

Ministério nega interesse partidário

As leis sobre a Copa-2014 e os Jogos-2016 são fruto de garantias governamentais dadas à Fifa e ao COI (Comitê Olímpico Internacional). Foi o que disse a assessoria do Ministério do Esporte, ao negar motivação partidária na atuação de Orlando Silva Jr..

"Ressaltamos que o ministro do Esporte toma decisões com base no interesse público, e não em interesses partidários", afirmou a assessoria do Ministério do Esporte.

Na edição de domingo passado, a Folha mostrou que, em cinco anos de gestão, Silva Jr. concentrou verbas do maior programa da pasta, o Esporte e Lazer na Cidade, em prefeituras aliadas do PC do B em São Paulo, que compõem sua base política.

A respeito das doações dos parceiros de Copa e Olimpíada, a pasta informou que tanto o Ato Olímpico como a Lei Geral da Copa foram ou são elaborados a partir dos compromissos do governo para sediar os eventos. "O Poder Executivo e o Poder Legislativo respaldaram as garantias governamentais perante o COI", declarou o ministério.

A assessoria, porém, não especificou o papel do ministério nessas legislações.

O presidente do PC do B, Renato Rabelo, declarou que apenas o Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco, fez contribuições para a direção do partido. As outras doações foram enviadas para os comitês estaduais.

Mas ressaltou que o Bradesco e a Coca-Cola já apoiavam candidatos ou o partido em eleições anteriores.

"Sinceramente, nem sabia quem eram os patrocinadores da Olimpíada e da Copa", declarou Rabelo, que afirmou não influir em decisões do Ministério do Esporte.

"Não procuramos ninguém por ser patrocinador olímpico. Procuramos quem defende os princípios iguais aos do partido", ressaltou.

As empresas também negaram relação entre as doações ao PC do B e a presença do partido no ministério.

"A Coca-Cola faz doações para partidos políticos desde 1996, muito antes de o Brasil ter sido escolhido sede de Copa e Olimpíada", declarou a companhia, via assessoria.

De acordo com a assessoria do McDonald's, os contratos dos eventos são definidos mundialmente, "sem o envolvimento dos mercados onde serão realizados".

A empresa disse que acredita em "apoiar valores democráticos" e que, por isso, "apoiou alguns partidos políticos nas eleições de 2010".

A assessoria do Bradesco, ao negar elo entre doações e o patrocínio, afirmou que "eventuais contribuições aos partidos políticos observam todos os aspectos legais".

Fonte: http://www.chicobruno.com.br/lista.php?idC=30884

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A INVENÇÃO REVISIONISTA




André Luan Nunes Macedo

Havana, 30 de janeiro de 2011,

Muitos amigos no Brasil, influenciados pelos meios de comunicação dominantes, diziam que a Revolução Cubana havia produzido uma “grande lavagem cerebral” na população por meio de um “culto” doentio à personalidade dos mártires da Sierra Maestra. Che Guevara, Cienfuegos, Raul Castro e, principalmente, o comandante Fidel seriam grandes deuses naquela sociedade.
Sem dúvida, os guerrilheiros são tratados como grandes heróis libertadores da pátria e do socialismo em Cuba. Existem estátuas e monumentos em homenagem aqueles que já se foram, como Cienfuegos e Che. Os ainda vivos, no entanto, não são eternizados.
Procuramos por todas as partes algo que simbolizaria uma ideia de eterno na figura do Comandante Fidel. O máximo que encontramos foram cartazes com sua foto no contexto de celebração do Aniversário da Revolução. Não são encontradas camisas, bottons, moedas, etc. com sua imagem.
Ao contrário do que se imagina, Fidel Castro é reconhecido por sua grande inteligência e determinação. A população cultiva a dimensão, digamos, “iluminista”, do Comandante. Não há, portanto, nenhuma prova que represente-o como um “Deus” da Pátria. Ao contrário disso, Fidel é reconhecido pelo grande humanismo que carrega em suas ideias, sabendo também que cometeu diversos erros na condução do seu governo.
A “revisão” da tradição marxista-leninista na URSS serviu para reproduzir, no senso comum mundial, a ideia de culto à personalidade. Tal conceito tem sido utilizado para denegrir os líderes que lutaram por sua pátria e defenderam a luta antiimperialista, como fizeram com Stálin, Mão, Lênin, Fidel, Che, dentre outros.
Muitos documentos históricos apontam para este problema após o golpe militar do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética em 1956, com os Relatórios Secretos de Kruchov, denunciado nas Cartas Chinesas do PCCh. Com a invenção do culto à personalidade, os assim chamados debochadamente pelos chineses de “revisionistas” retiraram todo seu apoio ao desenvolvimento do socialismo chinês, em nome de uma “coexistência pacífica” completamente divergente aos princípios de autodeterminação construídos pelo camarada Lênin. Assim, a “via parlamentar” seria o caminho final – e não um meio, uma trincheira para a luta política - na construção do socialismo nos demais países. Tal política ocasionou em um atrelamento a concepção de democracia imposta pelo imperialismo, causando um divisionismo sem precedentes no movimento comunista internacional : Mesmo o camarada Graciliano Ramos, em seu livro “Viagem”, ressalta a denúncia esdrúxula da imprensa mundial contra as lideranças soviéticas, denunciando a possibilidade de trata-los como “demônios”.
Por isso, não devemos jamais aceitar a crítica esquerdista das lideranças latino-americanas que reivindicam o socialismo. Analisar, por exemplo, Hugo Chavez como “populista” ou como um ser individualista e oportunista é a principal arma que necessita o imperialismo no momento histórico atual. Portanto, os comunistas devem ser contrários a ótica de representação liberal, não podendo fornecer armas discursivas para o imperialismo sob nenhuma hipótese.
Quem suporta hoje o paradigma do culto são as democracias liberais ao redor do mundo. A burguesia produz, no seio da sociedade civil, o espaço institucional daqueles subordinados pela indústria cultural, as “grandes celebridades”. O fetiche de ter algo que identifique com as celebridades é o motor da propaganda e da mercadologia. Nesse caso, tampouco importa a música que cantam, mas se forem mulheres ou homens situados em certo padrão de beleza física, já adquirem certo status quo.
Aqui em Cuba ninguém respeita ou admira Fidel Castro por sua barba ou por ser um homem alto. Ainda bem...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Anastasia e Aécio Neves devem ser denunciados por desvio de recursos

Por Fabricio Menezes


Sob a grave acusação de desvio de R$ 4,3 bilhões do orçamento do Estado de Minas Gerais e que deveriam ser aplicados na saúde pública, a administração Aécio Neves/Antônio Anastasia (PSDB) – respectivamente ex e atual governador mineiro – terá que explicar à Justiça Estadual qual o destino da bilionária quantia que supostamente teria sido investida em saneamento básico pela Copasa entre 2003 a 2009.

Devido à grandeza do rombo e às investigações realizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) desde 2007, por meio das Promotorias Especializadas de Defesa da Saúde e do Patrimônio Público, o escândalo saiu do silêncio imposto à mídia mineira e recentemente foi divulgado até por um jornal de âmbito nacional.

Se prevalecer na Justiça o conjunto de irregularidades constatadas pelo MPE na Ação Civil Pública que tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual sob o número 0904382-53.2010 e a denúncia na ação individual contra os responsáveis pelo rombo contra a saúde pública, tanto o ex-governador Aécio Neves, quanto o candidato tucano Antônio Anastasia, o presidente da Copasa, Ricardo Simões, e a contadora geral do Estado poderão ser condenados por improbidade administrativa.

Dos R$ 4,3 bilhões desviados, R$ 3,3 bilhões constam da ação do MPE, que são recursos supostamente transferidos pelo governo estadual (maior acionista da Copasa) para investimento em saneamento básico, na rubrica saúde, conforme determina a lei, entre 2003 e 2008. Como a Justiça negou a liminar solicitada pela promotoria no ano passado, para que fossem interrompidas as supostas transferências, a sangria no orçamento do Estado não foi estancada.
De acordo com demonstrativos oficiais da Secretaria de Estado da Fazenda, somente em 2009 a Copasa recebeu mais de R$ 1,017 bilhões do governo Aécio/Anastasia para serem aplicados em ações e serviços públicos de saúde para cumprimento da Emenda Constitucional nº 29/2000, à qual os estados e municípios estão submetidos, devendo cumpri-la em suas mínimas determinações, como, por exemplo, a aplicação de 12% do orçamento em saúde pública (a partir de 2004), considerada a sua gratuidade e universalidade. Em 2003 a determinação era que se aplicasse o mínimo de10% da arrecadação.

Da mesma forma que não se sabe o destino dos R$ 3,3 bilhões questionados pelo MPE, também não se sabe onde foi parar esses R$ 1,017 supostamente transferidos para a Copasa em 2009.
O cerco do MPE às prestações de contas do governo estadual iniciou-se em 2007, quando os promotores Josely Ramos Ponte, Eduardo Nepomuceno de Sousa e João Medeiros Silva Neto ficaram alertas com os questionamentos e recomendações apresentadas nos relatórios técnicos da Comissão de Acompanhamento da Execução Orçamentária (CAEO), órgão do Tribunal de Contas do Estado (TCE), desde a primeira prestação de contas do governo Aécio. Chamou-lhes a atenção, também, o crescimento, ano a ano, a partir de 2003, das transferências de recursos à Copasa para aplicação em saneamento e esgotamento sanitário.

Os promotores Josely Ramos, Eduardo Nepomuceno e João Medeiros querem que a administração do governo de Minas e da Copasa, conduzida na gestão Aécio Neves/Anastasia, devolva ao Fundo Estadual de Saúde os R$ 3,3 bilhões que é objeto da Ação Civil Pública que tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual e que segundo eles podem ter sido desviados da saúde pública.

No pedido de liminar na ação, os promotores já antecipavam e solicitavam à Justiça que “seja julgado procedente o pedido, com lastro preferencial na metodologia dos cálculos apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, para condenar os réus, solidariamente ou não, à devolução de todos os valores transferidos à COPASA do orçamento vinculado às ações e serviços de saúde que não foram utilizados em saneamento básico entre os anos de 2003 e 2008, totalizando R$ 3.387.063.363,00 (três bilhões, trezentos e oitenta e sete milhões, sessenta e três mil e trezentos e sessenta e três reais), a serem depositados no Fundo Estadual de Saúde.”

Como o MPE encurralou o governo e Copasa

Para encurralar o governo do Estado e a Copasa, o MPE se valeu de sua autonomia investigativa e requereu às duas instituições as provas que pudessem revelar como foram aplicados os recursos públicos constantes das prestações de contas do Executivo e nos demonstrativos financeiros da empresa.

O que os promotores constataram foi outra coisa ao analisarem os pareceres das auditorias externas realizadas durante esse período: “Além disto, as empresas que realizaram auditoria externa na COPASA, durante o período de 2002 a 2008, não detectaram nos demonstrativos financeiros da empresa os recursos públicos que deveriam ser destinados a ações e serviços da saúde.”

As discrepâncias contidas nas prestações de contas do Estado levaram os promotores a consultar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à qual a Copasa deve apresentar seus demonstrativos financeiros e balanços anuais.

Em sua resposta à consulta, a CVM respondeu ao Ministério Público Ofício que “após análise de toda a documentação, não foram encontrados evidências da transferência de recursos da saúde pública para investimentos da COPASA, nos termos da Lei Orçamentária do Estado de Minas Gerais e na respectiva prestação de contas do Estado de Minas Gerais, conforme mencionado na consulta realizada por esta Promotoria de Justiça”.

Na página 26 das 30 que compõem a ação, os promotores afirmam o seguinte sobre a ausência das autoridades convocadas para prestar esclarecimentos sobre o assunto:

“Ressalte-se que a COPASA recusou-se a prestar informações ao Ministério Público sobre os fatos aqui explicitados. Notificado a comparecer na Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, seu Presidente apresentou justificativa na data marcada e não compareceu.A Contadora Geral do Estado também notificada a prestar esclarecimentos, na condição de técnica que assina a Prestação de Contas, também apresentou justificativa pífia e não compareceu na data marcada. Finalmente, a Auditora Geral do Estado, que também assina as Prestações de Contas do Estado, que poderia e até deveria colaborar com a investigação, arvorou-se da condição de servidora com status de Secretário de Estado, por força de dispositivo não aplicável à espécie, contido em lei delegada estadual (sic) e não apresentou qualquer esclarecimento ao Ministério Público.”

Dois governadores foram presos este ano no país

No início do mês o Brasil foi surpreendido com prisão do governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, e de seu antecessor – de quem Dias era vice até abril – Waldez Góes (PDT), candidato ao Senado. Detidos em decorrência da Operação Mãos Limpas, desencadeada pela Polícia Federal, Dias e Góes foram presos em 10 de setembro juntamente com outras 16 autoridades, todos acusados de corrupção e desvio de recursos públicos. As informações preliminares apontam para um montante de R$ 300 milhões, desviados das áreas de educação, saúde, assistência social, entre outras.

Esta, porém, não foi a primeira vez que um governador é preso no país, após a redemocratização, em 1985. No início do ano, em fevereiro de 2010, o caso que ficou conhecido como “mensalão do DEM”, uma operação orquestrada no governo do Distrito Federal há 10 anos, culminou na prisão do então ocupante do cargo, José Roberto Arruda (DEM). Seu vice, Paulo Otávio, renunciou ao cargo, e a Câmara Distrital escolheu um dos deputados para concluir o mandato.

Fonte: Portal MINASLIVRE.COM.BR

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O marxismo e o movimento universitário brasileiro: Porque não existe unidade da "esquerda" na UFMG?

Por Alex Lombello

Quem, entre uma democracia por conselhos (eu russo soviética) e as eleições diretas escolhe a última opção não é stalinista, nem trotskista, não é maoista, não é leninista, nem marxista, não é socialista, muito menos comunista, mas de fato, no assunto central da política, essa pessoa é capitalista, ou para usar um nome bonito para a mesma coisa, liberal. Existe a possibilidade de substituir a democracia capitalista pela qual o DCE-UFMG vive partidarizado por uma democracia de conselho, mais participativa, mais transparente, mais eficiente. É nessa hora que diferenciamos os comunistas dos carreiristas. Que no Estado burguês nós comunistas sejamos obrigados a aceitar regras individualistas, mercadológicas, corruptoras, enganadoras, em uma palavra, capitalistas, pois não temos forças para mudar isso agora, ao menos não por completo, compreende-se. Mas onde temos forças para fazer avançar a democracia para características proletárias, essa é nossa obrigação.

Observemos primeiro os sucessos revolucionários. O movimento considerado por Marx e Engels como inauguração da atuação política da classe operária, o Cartismo, lutava por democracia, pois exigia direitos políticos para os trabalhadores, e entre os direitos incluia-se que os mandatos durassem somente um ano, ou seja, quase inventaram a revogabilidade dos mandatos. O que Marx, que assistiu diversas revoluções na França, considerou mais avançando nesse país foi a Comuna de Paris de 1871, sobre a qual escreveu sua última obra, Guerra Civil em França, que a Estudos Vermelhos publicou com a tradução correta mas arbitrariamente trocou o título para A Comuna de Paris. Foram os comunards que inventaram a revogabilidade de todos os mandatos, ou seja, os eleitores poderem depor os políticos que elegeram.

A Comuna se deixou massacrar pelas armas, mas seu exemplo não foi esquecido. Em 1905, na Rússia, surgiram os Soviets, à semelhança da Comuna, embora não idênticos, e em 1917 os Soviets chegaram ao poder e elevaram a Rússia da destruição completa ao posto de grande potência. Os exemplos da Comuna e dos Soviets inspiraram as Comunas Populares da China, do Vietnã, da Coréia, assim como os exércitos revolucionários desses países e o Exército Rebelde de Cuba. Em outras palavras, democracia soviética é sinônimo de vitória das forças revolucionárias.

Deve-se acrescentar que o contrário também é verdade, ou seja, refluxos da democracia proletária geram refluxos revolucionários. Os Soviets existiram na URSS até 1936, depois o poder foi mantido por comunistas até 1953, perdido para a contra-revolução e se foi o socialismo. Na China também já não ouvimos mais falar de Comunas Populares, e cada dia mais escutamos falar de capitalismo na China.

Os teóricos marxistas confirmam esse raciocínio. Já mostramos que Engels e Marx apoiaram o Cartismo e a Comuna de Paris. Na Rússia, Lênin foi o descobridor de que o poder dos Soviets seria o poder do povo trabalhador, que eram quase a mesma coisa que o conselho que os parisienses chamaram de Comuna, quase com as mesmas regras. É de enorme importância para se compreender todo esse assunto o livro escrito no calor de 1917, O Estado e a Revolução, cuja tradução correta é também a da Estudos Vermelhos.

Gramsci, em Turim, inspirou verdadeiros Conselhos de Fábrica e criou um Conselho desses Conselhos na direção da organização dos trabalhadores de Turim, pelo que se nota sua posição bolchevique, pró soviética. Ele mesmo escreveu sobre isso, com destaque para “Sobre o movimento turinês dos conselhos de fábrica”. Na China, como já fica claro acima, Mao Zedung e Zo Enlai criaram Comunas Populares, assim como Ho Chi Minh acabou fazendo no Vietnã. Igualmente, quem observar as regras das eleições cubanas notará que a única sustentação da revolução cubana é a sua democracia, completamente ao contrário de tudo o que se diz por ai... Fidel é um defensor dessa democracia sempre ameaçada e cercada que lembra o sonho dos comunards.

Mas sempre existem contra-revolucionários enrustidos, que por conveniência se dizem marxistas, e podem até aceitar semelhanças entre a Comuna, os Soviets, Cuba, as Comunas chinesas, a organização sindical de Gramsci etc., mas quando se trata de perceber que devem apoiar uma experiência do mesmo tipo debaixo de seus narizes, ficam cegos. Eles apóiam longe e no passado, mas hoje e agora apóiam mesmo é o poder do capital, pois é a democracia capitalista que temos no Brasil, cada estado, cada município, e desnecessariamente também mantemos nos sindicatos, DCEs etc.

É de se esperar, enfrentaremos no campo marxista a afirmação que a democracia dos últimos 30 anos de DCE-UFMG não é capitalista, e que o poder dos CAs e DAs sobre o DCE não é semelhante aos Soviets e à Comuna, nem à organização sindical de Turim de Gramsci.

Onde estariam as semelhanças? No fato que a atual “democracia” do DCE é movida a dinheiro como toda democracia capitalista e o Conselho de CAs escapa desse controle? No fato que atualmente os estudantes só participam uma vez por ano, enquanto no Conselho participam sempre que querem? Em que no atual estatuto depor um diretor é praticamente impossível e com o poder do Centros e Diretórios Acadêmicos a deposição será, como nos Soviets e na Comuna, a regra? Ou no fato que nessa democracia capitalista por um ano um grupinho é dono do DCE, podendo decidir o que bem entender a portas fechadas, enquanto no Conselho as decisões são tomadas quotidianamente pela coletividade?

É impossível não afirmar que desconfiamos profundamente da honestidade e da vergonha na cara de quem “não vê” que a democracia, mesmo de um DCE, necessariamente é capitalista ou superior à capitalista, e nas opções dadas, é capitalista ou de conselho, em russo, soviética. Sobretudo desconfiamos da honestidade dos que se dizem leninistas e alegam sofrer dessa cegueira, pois nesse aspecto Lênin era até exagerado, só aceitando duas possibilidades na atualidade – ou bem uma democracia é capitalista ou socialista, burguesa ou proletária. Ou seja, alguns “leninistas” que conhecemos, ou nunca leram Lênin, ou acham que a democracia do DCE-UFMG é proletária, socialista, ou que fugindo à regra geral, as democracias do movimento estudantil não são uma coisa nem outra. Ou seja, em um momento ou em outro estão mentindo, ou estão mentindo ao afirmarem que leram Lênin ou ao afirmar que concordam com ele, ou seja, que são leninistas!

Também dentro da tradição marxista, mais precisamente leninista, nos perguntarão sobre a direção. Estamos entregando o poder às bases. Isso não é abrir mão de dirigir? Não, dirigir não tem nada haver com “aparelhar”. Para dirigir é necessário saber o caminho e saber indicar o caminho. Para tanto é melhor que os “dirigidos” estejam ouvindo! E mais, nós queremos dirigir de verdade, não oficialmente. Nos DCEs capitalistas quem ganha dirige oficialmente, e na prática não há nada para ser dirigido, quase não há movimento. Nos DCEs soviéticos (até agora só conheço o de São João) ninguém ganha, nem perde, e dirige, um movimento real, quem tem idéias. Ademais, deviam ter o bom senso de perceber que o mesmo Lênin que defendia o papel de vanguarda do Partido também foi o pioneiro na defesa do poder dos Soviets, ou seja, nem Lênin viu essa contradição que nossos “marxistas” querem ver no Brasil. Lênin não viu “basismo” nenhum nos Soviets, que eram no entando muito mais de base que o Conselho de CAs e DAs ao qual vamos entregar o DCE, mas os “leninistas” daqui veem em nossa proposta enorme “basismo”. Quando não têm muitos argumentos, esses nossos maravilhosos teóricos tupiniquins inventam nomes e acrescentam o sufixo “ismo”. Não pararam para constatar um pequeno detalhe – há 30 anos os DCEs brasileiras estão perdidos, a deriva, sem direção. Os partidos tem conseguido aparelha-los, raramente dirigir qualquer movimento.

Nossos aliados de algumas eleições pedem que recuemos de nossa tática em nome de uma tal “unidade da esquerda”. Que esquerda? Voltemos à origem do termo, na Revolução Francesa. À esquerda assentavam-se os republicamos, ou seja, os que desejavam uma democracia mais avançada do que a monarquia constitucional à moda inglesa, que era desejada pelo centro, e bem mais democracia do que suportavam os nobres absolutistas, assentados à direita. Se usarmos o mesmo critério, a posição quando ao Estado, quanto à forma de democracia, para a realidade atual, não encontramos esquerda nenhuma defendendo a democracia capitalista, que é obviamente a posição conservadora. Para se posicionar à esquerda, hoje, é necessário defender uma democracia mais avançada, sem vacilos e tergiversações. É claro que já houve tempo em que defender a democracia capitalista era necessário, a saber, sempre que se precisa derrubar o fascismo deve-se aceitar a democracia pela qual for possível montar a maior frente anti-fascista, e só (mas nessa época os trotskistas que hoje nos chamam para recuar em nome da unidade não aceitavam compor a frente anti-fascista!!??). Quando, como hoje, os fascistas estão isolados em minoria, ou seja, quando é o momento de avançar, não precisamos de capitalistas nem de vacilões nos atrasando. Quando o principal escudo capitalista, a democracia liberal, é colocada em xeque no DCE da mais importante Universidade de Minas Gerais, qualquer atitude em defesa do capitalismo, com qualquer justificativa, é uma declaração de guerra, é contra-revolução.

Certamente desses partidos ditos socialistas e comunistas, mas que estranhamente não defendem o poder das entidades de base sobre o DCE e sim a forma capitalista de poder, receberemos a estapafúrdia acusação de despolitização. Deixamos de falar da situação internacional, da brasileira, da mineira e até citamos pouco os problemas da própria UFMG, e por isso estaríamos com um discurso “limitado”, “só organizativo”. Que besteirada! Que inocência! Que incultura! A própria palavra “política” refere-se às Polis, as cidades-estado gregas, mas não se trata da “administração da cidade”, não, porque a Polis não era o aglomerado urbano, mas o Estado, ou seja, fazer política é atuar no Estado. A questão central da política seria “limitada”, “só organizativa”. Isso não é conservadorismo tal qual o do governo e o dos demotucanos? São mesmo muito politizados esses conservadores de bandeiras vermelhas, só não entendem a centralidade da... Polis! Pretendem fazer funcionar uma estrutura política, mas não se perguntam se essa estrutura é feita para funcionar, e para fazer o que? Estão “pensando que berimbau é gaita”, acreditam que uma máquina que há 30 anos é uma produtora de carreiristas, corruptos, aparelhistas, uma fabricante de rachas, discórdias, brigas, violências, fraudes etc., pode passar a fabricar lutas e cidadãos decentes ou até revolucionários.

Ou seja, despolitizadas são todas essas repetições das mesmas “verdades”, do mesmo catecismo, de obviedades, e promessas já feitas mil vezes, e que não tocam no assunto central da política, que é a Polis. Pode-se fazer política de diferentes formas – Pode-se simplesmente atuar no Estado sem questiona-lo (que é que quase todos sempre fazem) e essa atitude é conservadora; Pode-se buscar transformar os Estado aos poucos, que é uma atitude reformista, oficialmente a governista hoje, mas na prática os governistas não reformam nada, são conservadores, em todo canto; Ser revolucionário, para um marxista, é tentar construir outro Estado, com os restos do atual, com os recursos dele, mas não com suas formas! A questão da forma é de extrema importância para o Estado, e se confunde mesmo com seu conteúdo, uma vez que as classes são muito diferentes entre si, e a forma de organização que serve bem a uma não serve a outra. Marx percebeu bem a importância das formas, ou como dizemos hoje, do design, e divulgou entusiasmado, quando contou a história da Comuna de Paris. Lênin o percebeu na realidade russa, diante dos Soviets e dos Conselhos de Fábrica, o que está claro no Estado e a Revolução e em todos os seus livros posteriores. Gramsci, novamente, em Turim, experimenta e teoriza com os Conselho de Fábrica. Ou seja, os pseudo-marxistas que afirmam deforma leviana que a democracia é “só” a forma do Estado, que não devemos nos apegar a “questões de forma”, estão longe da fato do marxismo, do qual talvez tenham aprendido a parte mais nítida, a economia.

Também haverá o argumento do tempo, das fases, não seria ainda o momento de experimentar uma democracia mais avançada. Teríamos que esperar a revolução socialista para isso, pois esse argumento se baseia na idéia de que só é possível avançar em um lugar quando se avança em todos. Lembremos, então que os Soviets passaram a existir e a praticar o poder 12 anos antes da revolução de Outubro, entre 1905 e 1907, quando foram fechados pelo regime czarista. Também os Conselho de Fábrica de Turim existiram o tempo todo sob a monarquia constitucional que precedeu a ditadura fascista. E o que derrotou os turineses liderados por Gramsci foi que no resto da Itália o Partido Socialista se apegou a argumentos mentirosos como “não é hora pra ter poder das bases”. Que hora seria essa? A revolução seria uma espécie de “presente dos céus”? A prática do poder não é o que tende a tencionar processos de transformações?

Outro argumento amplamente utilizado é do tipo “a massa de estudantes não é politizada”. Ora, se o estudante não for capaz de apontar suas necessidades, quem será? Ou mesmo, se de fato esta massa não é politizada, como ela irá politizar-se, se não quando tiver a oportunidade de participar e exercer o poder? A sensação que fica é que os que usam tal argumento nasceram sabendo, vieram com o “dom da política” de fábrica. Ademais, aqueles que de fato possuírem o “dom da política”, tiverem amplo conhecimento dos caminhos que se deve percorrer, não terão problemas em politizar a “massa despolitizada”.

Existem momentos e locais para se tratar de todos os assuntos. Nossos jornais, do PCB e da UJC, existem para isso. Uma chapa composta por sete vezes mais estudantes sem partido que por membros da UJC, e composta com o objetivo revolucionário de substituir a democracia capitalista do DCE-UFMG por uma democracia de Conselho, não é o espaço para divulgarmos o que devemos divulgar em nossos jornais. Não se pode falar de acabar com o aparelhamento de um DCE e começar por aparelhar a própria chapa (que é, aliás, o normal). Na hora de defender um novo poder, soviético, não se pode vacilar, não se pode abrir mão de aliados nessa questão central em troca do luxo de reafirmarmos nossas posições já presentes em nossos blogs e jornais, e que acabamos de reafirmar nas eleições de 2010.

Por fim, é impossível não esclarecer que essa suposta politização dos grupos que usam bandeiras vermelhas mas estão conformados com o Estado atual, é uma politização também dentro da agenda dos capitalistas. Eles se acomodam no Estado capitalista e seguem somente os temas de debate capitalistas, colocados pela imprensa, pelos políticos, pelos governos capitalistas. Querem politizar ou querem agradar um determinado público?

Com a proposta que defendemos, de antes de mais nada entregar o poder do DCE aos Grêmios, Centros e Diretórios Acadêmicos, estamos impondo nossa agenda. Os capitalistas é que terão, para manter suas tetas, que entrar em um assunto do qual fogem e defenderem sua forma de democracia contra a nossa. Os oportunistas se afastarão ou deixarão cair as máscaras, pois quando se coloca a questão magna do Estado, caem os disfarces.